Caio F. Abreu possuía um "sorriso que derretia satélites e até corações gelados", me emprestou asas (mesmo de papelão), e sabia traduzir a alma humana de um jeito simples e sincero com sentimentos "inacreditavelmente ternos"
sexta-feira, 21 de julho de 2023
♥♥
E se você vem, fica tudo maior,
mais amplo, sei lá,
mas é como se eu existisse
de um jeito mais completo.
— Caio F Abreu
♥
“Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe,
mas queria te dizer pra não parar de remar,
porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.
Tá me entendendo? Eu sei que sim”.
quinta-feira, 30 de março de 2023
♥
“Que as perdas sejam medidas em milímetros
e que todo ganho não possa
ser medido por fita métrica
nem contado em reais.
Que minha bolsa esteja cheia
de papéis coloridos e desenhados
a giz de cera pelo anjo que mora comigo.
Que as relações criadas
sejam honestamente mantidas
e seladas com abraços longos.
E que seja doce tudo que tiver que ser.”
quinta-feira, 23 de março de 2023
quarta-feira, 30 de novembro de 2022
♥
"Ando tropeçando em absurdos.
Em desassossegos também.
Tem gente que tirou o mês pra me chatear,
me colocar pra baixo,
me jogar em cima
um amontoado de energias ruins.
Tem gente que tem esse dom.
De não ser feliz
e querer enferrujar o sorriso alheio."
— Caio F. Abreu
quinta-feira, 6 de outubro de 2022
Poema sem titulo (Caio F)
Eu quero a vida.
Com todo o riscos
eu quero a vida.
Com os dentes em mau estado
eu quero a vida
insone, no terceiro comprimido para dormir
no terceiro maço de cigarro
depois do quarto suicídio
depois de todas as perdas
durante a calvície incipiente
dentro da grande gaiola do país
de pequena gaiola do meu corpo
eu quero a vida
eu quero porque quero a vida.
É uma escolha. Sozinho ou acompanhado, eu quero, meu
deus, como eu quero, com uma tal ferocidade, com uma tal
certeza. É agora.
Com todo o riscos
eu quero a vida.
Com os dentes em mau estado
eu quero a vida
insone, no terceiro comprimido para dormir
no terceiro maço de cigarro
depois do quarto suicídio
depois de todas as perdas
durante a calvície incipiente
dentro da grande gaiola do país
de pequena gaiola do meu corpo
eu quero a vida
eu quero porque quero a vida.
É uma escolha. Sozinho ou acompanhado, eu quero, meu
deus, como eu quero, com uma tal ferocidade, com uma tal
certeza. É agora.
É pra já. Não importa depois.
É como a quero.
Viajar, subir, ver. Depois, talvez Tramandaí.
Viajar, subir, ver. Depois, talvez Tramandaí.
Escrever. Traduzir. Em solidão.
Mas é o que quero. Meu Deus, a vida, a vida, a vida.
A VIDA
À VIDA
A VIDA
À VIDA
Ferver 77º
Deixa-me entrelaçar margaridas
nos cabelos de teu peito.
Deixa-me singrar teus mares
mais remotos
com minha língua em brasa.
Quero um amor
de suor e carne
agora:
enquanto tenho sangue.
Mas deixa-me sangrar teus lábios
com a adaga de meus dentes.
Deixa-me dilacerar teu flanco
mais esquivo
na lâmina de minha unhas.
Quero um amor
de faca e grito
agora:
enquanto tenho febre.
O poema acima é dos mais belos exemplares
da poesia erótica de Caio Fernando Abreu.
Composto em 14 de janeiro de 1975,
vemos uma lírica explícita,
que desafia o leitor ao expor
os desejos do eu-lírico com uma crueza ímpar.
♥
Caio escreveu os versos acima em pleno contexto da ditadura militar.
O poema, datado de 2 e 3 de maio de 1979,
desafiava na altura o status quo durante os anos de chumbo
ao ousar falar de liberdade.
sexta-feira, 16 de setembro de 2022
...
porque tem uma montanha de dor na frente.
Continue andando. Você vai subir,
vai sentir frio lá em cima, cansaço.
Vai querer desistir, mas não vai desistir,
porque você é forte e porque depois do topo
a montanha começa a diminuir
e o único jeito de deixá-la pra trás é continuar andando.
Você vai ser feliz!
(Caio Fernando Abreu)
quarta-feira, 10 de agosto de 2022
...
Somos inocentes em pensar,
que sentimentos são coisas passíveis
de serem controladas.
Eles simplesmente vêm e vão,
não batem na porta, não pedem licença.
Invadem, machucam, alegram.”
Caio Fernando Abreu
domingo, 17 de julho de 2022
A gente finge que arruma o guarda-roupa,
arruma o quarto, arruma a bagunça.
Tira aquele tanto de coisa que não serve,
porque ocupar espaço com coisas velhas não dá.
As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí.
Mas a gente nunca tira tudo.
Sempre as esconde aqui, esconde ali,
finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe.
Que tá curta, pequeno, apertado.
É que a gente queria tanto. Tanto.
Acredito que arrumar a bagunça da vida
é como arrumar a bagunça do quarto.
Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve,
jogar fora algumas coisas, outras separar para doação.
Isso pode servir melhor para outra pessoa.
Hora de deixar ir.
Alguém precisa mais do que você. Se livrar.
Deixar pra trás.
Algumas coisas não servem mais. Você sabe.
Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta
é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve.
Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento.
Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa.
Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.

















